sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Confeitaria

Sou o confeiteiro das palavras
Meu silêncio é quase nulo
Porque sou um bolo
Ou uma torta
Ou o pão da hora
Quente e amanteigado
Como todos os versos que fabrico

Estou farto de tanto desejo
Que não se corresponde
E tanta culpa que se esconde
Como um pique da minha infância

Nada é mais poético que cafés e padarias
Como tradução fotográfica
De velhas poesias
Que modernizam as passagens

Estou perto do meu aniversário
E não tenho como partir a mim mesmo
Para dividir com o amor cada vez mais distante

Minhas palavras ganham novas inspirações
E minhas aspirações se assemelham
As de um poeta platônico
Que não toca aquilo que ama.