quinta-feira, 8 de maio de 2008

É Belohorizonte

Este poema em setembro/08, faz dois anos. Apartamento da Serra.
___________________________________________

Da minha janela nada de tabacaria
Apenas um café de agora
Aqui dentro é negro

Do outro lado da minha nova rua
Um ipê lilas me diz bom dia
Quase no galho de um agosto adeus

Passou uma vida e foi tudo um segundo atrás
Vejo as flores no chão

As quatro Estações:
Candido Portinari
O inverno em Murilo Mendes
O verão em Silva Mello

Ser para morrer
Para morrer ser
Morrer para ser

Estou farto dessa farta morte
Essa merda de poesia ser morte
Esta merda de morte ser verso

Nada verso a farsa amada
Morte viva é o que sou
O Subproduto da cultura sem agricultura
norteamericanotozóide

Um dorzinha de quase 30
O ego menos azulado
Faltando os azulejos
Que o tempo da parede arranca

No interior
O pai que pescava comigo
Fita estrelas deitado naquela casinha horrorosa
A 60 na Barreira do Triunfo

Pai era lindo
Ganhou mãe com uma Lee boca de sino
E eu surgi da agulha dos Beatles
Help! Yesterday

Versos?
Ninhuém que saber dos meus versos
Doidos demais
Subversivo
Verso favelado
Verso de caboclo
Mulato
Tupiantropofágico
Verso no darwinismo
Verso nada polido
Nada.
Nada Beatles em minha vida

Verso que é quase grito
Verso do sol
O sol do trópico
O verso só.