terça-feira, 16 de abril de 2019

PARA GILBERTO FELISBERTO VASCONCELLOS

Na cátedra dos trópicos, teu verbo é chama,  
Gilberto, mestre dos ventos e da trama.  
Entre Pessoa e Glauber tua alma dança,  
Filósofo da imagem, guerreiro da esperança.

Na selva da razão, fizeste ver a luz,  
Quando o Darwin em meu peito carregava uma cruz.  
Prefaciar não foi gesto — foi rito sagrado,  
Benzeste meu livro, e um irmão foi nomeado.

Falaste da Biomassa como quem acende  
O fogo antigo que a consciência entende.  
Na academia onde muitos apenas repetem,  
Tu provocas, tu gritas, tu despertas os que esquecem.

Teu saber é lanterna em caverna escura,  
Teu amor pelo cinema é chama pura.  
Escreveste com Bautista a força do Sul,  
E nos ensinou que o saber não é nulo.

Tua pena é espada, teu riso é punhal,  
Contra a mesmice, és sempre frontal.  
E no filme da vida, com coragem brutal,  
Foste minha cena mais original.

Obrigado, Gilberto, por ser farol e corrente,  
Por me chamar de igual, por me tornar consciente.  
Que tua saúde floresça como tua paixão,  
E que tua existência siga em eterna criação.