Na cátedra dos trópicos, teu verbo é chama,
Gilberto, mestre dos ventos e da trama.
Entre Pessoa e Glauber tua alma dança,
Filósofo da imagem, guerreiro da esperança.
Na selva da razão, fizeste ver a luz,
Quando o Darwin em meu peito carregava uma cruz.
Prefaciar não foi gesto — foi rito sagrado,
Benzeste meu livro, e um irmão foi nomeado.
Falaste da Biomassa como quem acende
O fogo antigo que a consciência entende.
Na academia onde muitos apenas repetem,
Tu provocas, tu gritas, tu despertas os que esquecem.
Teu saber é lanterna em caverna escura,
Teu amor pelo cinema é chama pura.
Escreveste com Bautista a força do Sul,
E nos ensinou que o saber não é nulo.
Tua pena é espada, teu riso é punhal,
Contra a mesmice, és sempre frontal.
E no filme da vida, com coragem brutal,
Foste minha cena mais original.
Obrigado, Gilberto, por ser farol e corrente,
Por me chamar de igual, por me tornar consciente.
Que tua saúde floresça como tua paixão,
E que tua existência siga em eterna criação.