sábado, 24 de abril de 2021

A TEORIA PÓETICA DO MESSIAS





Capítulo 1 – Roma Antiga e a Judéia, escravidão e violência

 

1 

Debaixo do Sol que queima as pedras do império, 

Roma se ergue altiva, de mármore e aço, 

mas no coração dos homens, um deserto etéreo, 

ecoam gritos sob o látego e o laço. 

 

2 

Nas praças douradas onde César é rei, 

o sangue dos povos corre como vinho, 

e em cada esquina de sombra e lei, 

há um grito calado, um destino mesquinho. 

 

3 

Judéia, terra da poeira e da espera, 

onde o cântico se mistura à dor, 

vive curvada, mas sonha primavera, 

ansiando por justiça, por um redentor. 

 

4 

Na sombra do templo, um silêncio denso, 

os fariseus traçam normas como espadas, 

a verdade se esconde em véu imenso, 

e a fé vira moeda nas madrugadas. 

 

5 

Soldados marcham como tempestades, 

as sandálias esmagam a flor e o trigo, 

em Roma e em Jerusalém, realidades 

se cruzam em espadas e castigo. 

 

6 

Os profetas já calaram suas trombetas, 

resta um povo submisso e alquebrado, 

nas montanhas, murmúrios de poetas 

que anunciam um rei não coroado. 

 

7

Escravos arrastam correntes e o fado, 

seus olhos pedem ao céu um sinal, 

esperam por algo jamais anunciado, 

um Deus que venha pela carne mortal. 

 

8 

Em cada criança que nasce no chão, 

há uma esperança que não se diz, 

e mesmo sob chicote e opressão, 

a Judéia sonha o Messias feliz. 

 

9 

Roma, gigante de ferro e de vício, 

não percebe o que vibra em Belém: 

o amor virá sem cetro ou ofício, 

nasce num estábulo, não num harém. 

 

10 

E o Império, entre banquetes e guerras, 

não enxerga o sopro que o tempo prepara, 

pois a flor que desponta entre as feras, 

há de romper as muralhas mais claras. 

 

11 

A História respira pelos poros da terra, 

entre os montes de dor e poeira do chão, 

e mesmo na aurora de mais uma guerra, 

germina a semente da salvação. 

 

12 

E assim, num mundo de lutas e açoite, 

nasce o tempo de promessas e cruz, 

pois quanto mais escura for a noite, 

mais resplandecerá a vinda da luz.

 

Capítulo 2 – Maria, José e o Espírito Santo: A Espera de um Messias

 

1 

No silêncio azul de uma tarde sem tempo, 

Maria costura a esperança em pano singelo, 

sua alma, um templo, um vasto firmamento, 

tece o invisível no ventre belo.

 

2 

José, homem justo, molda tábuas com fé, 

sua madeira é simples, mas reta como a lei, 

ele ouve o mistério no tocar do chão de cada pé, 

e aceita o divino que nele pousou o Rei.

 

3 

O anjo desce em asas de ouro e brisa, 

fala a Maria com voz de alvorecer: 

“serás mãe da Luz que tudo precisa, 

e o mundo em ti há de renascer”.

 

4 

Maria não grita, não corre, não teme, 

seu “sim” ecoa além dos céus e do chão, 

como um sino que toca o que é perene, 

como raiz que brota da oração.

 

5 

José sonha com a palavra do Anjo, 

sua dúvida vira fé, como pedra vira pão. 

Aceita a missão com um coração frágil e largo, 

caminha com ela para a redenção.

 

6 

Os dois seguem por trilhas empoeiradas, 

ele, com olhos de pai, mãos de proteção, 

ela, com o ventre cheio de alvoradas, 

carrega a promessa da encarnação.

 

7 

Não houve coroas nem palácio de prata, 

mas o universo ajoelha ante o inusitado:

Deus, em silêncio, ali se retrata 

num útero virgem, num casal consagrado.

 

8 

O Espírito paira, como ave invisível, 

semeia amor onde a lógica não alcança, 

faz do ventre um relicário impossível, 

onde germina a eterna esperança.

 

9 

Maria, estrela da manhã não queimada, 

canta hinos mudos à eternidade, 

e José, em sua fé calada, 

ergue um lar de serenidade.

 

10 

Na casa simples de barro e de vento, 

há pão, há paz e há promessa. 

É ali que, longe do templo e do templo, 

cresce o menino que o mundo atravessa.

 

11 

Enquanto o Império conta moedas e terras, 

ali se ouve o canto do invisível Amor. 

Maria, José – colunas da nova era, 

o Deus-Menino dorme sem temor.

 

12 

E o tempo, esse velho guardião da história, 

guarda nos olhos dessa mulher e desse homem, 

a semente do milagre e da glória: 

a esperança do mundo que dorme.

 

Capítulo 3 – A Formação do Cristo Salvador

 

1 

Nos primeiros passos do Verbo encarnado, 

a terra já pressente o peso da Luz. 

Cresce entre pedras, poeira e cuidado, 

o menino que a eternidade conduz.

 

2 

Nos campos de Nazaré, entre oliveiras, 

brinca Jesus com gravetos e irmãos, 

mas seus olhos guardam fronteiras 

que não cabem nas mãos dos anciãos.

 

3 

Aprende o silêncio com as árvores antigas, 

ouve a água correr e entende o tempo, 

em cada pedra vê faces amigas, 

e em cada sopro, um novo ensinamento.

 

4 

A madeira, José lhe ensina a cortar, 

o martelo a usar, a medida a medir, 

mas em seu íntimo, já sabe moldar 

corações que ainda hão de se abrir.

 

5 

Maria o observa com olhar em brasa, 

vendo no filho o traço do céu, 

sabe que seu ventre foi uma casa 

para Aquele que virá com o véu.

 

6 

Ele escuta os rabinos com atenção viva, 

mas suas perguntas espantam o saber. 

Aos doze anos já mostra a centelha altiva 

de quem veio o mundo inteiro entender.

 

7 

Não almeja tronos, cetros ou poder, 

prefere o campo, o pão e o povo. 

Na alma, um mar a se oferecer,

nos gestos, um mundo novo.

 

8 

Aprende a ler os olhos, não só a Torá, 

ouve a dor do vizinho como oração. 

Mesmo criança, sua alma já está 

preparando a grande revolução.

 

9 

Cada gesto, um treino invisível, 

cada lágrima, uma lição de amor. 

Ele cresce firme, simples, impossível, 

com a mansidão dos que enfrentam a dor.

 

10 

Nas praças, entre os pobres e cansados, 

vê rostos que um dia tocará com poder. 

Anota, no peito, nomes calados 

que virão um dia a se erguer.

 

11 

A lua testemunha suas madrugadas, 

conversas com o Pai, em voz sutil. 

Formação divina em madrugadas caladas, 

onde o barro beija o perfil.

 

12 

Assim se forja o Cristo, em luz e carne, 

entre o suor da terra e o perfume do céu. 

O Salvador aprende antes de ensinar, 

e veste o mundo como se fosse um véu.

 

Capítulo 4 – Os 12 Apóstolos e o Legado de Pedro

 

1 

À beira do lago, um sopro de marés, 

Jesus caminha como quem planta fé. 

Com olhos que perfuram as marés, 

chama homens simples — e nada mais quer.

 

2 

Pedro, o pescador, lança a rede no mar, 

mas é sua alma que primeiro se lança. 

Jesus o chama, o faz levantar, 

e em sua voz, a rocha balança.

 

3 

Tiago e João deixam redes e pai, 

abandonam o sal, seguem o pão. 

André, com olhos que vão além do cais, 

já crê no Messias em seu coração.

 

4 

Mateus, o publicano da margem perdida, 

ouve o convite e larga a conta e o ouro. 

O Cristo vê em sua alma ferida 

o mapa de um mundo novo e duradouro.

 

5 

Filipe caminha com fé já nascida, 

leva Natanael, que hesita em crer. 

Mas sob a figueira, a dúvida vencida 

vira certeza que se há de escrever.

 

6 

Simão, o zelote, de coração em brasas, 

esperava um rei com espada na mão. 

Mas vê no Cordeiro, que o amor abraça, 

uma revolução feita de perdão.

 

7 

Tadeu, Tiago Menor e o enigmático Judas, 

cada um com alma, história e missão. 

Mesmo aquele que trairia com dúvidas,

é parte do plano de redenção.

 

8 

Com doze pilares o Mestre ergue a ponte, 

um novo templo, vivo, humano e santo. 

Em cada discípulo, um monte 

onde a verdade ecoa em alto canto.

 

9 

Sentam-se juntos, ouvem parábolas e ventos, 

testemunham milagres, choram e riem. 

Na escola do Cristo, aprendem os tempos 

do amor que rasga véus e redime.

 

10 

Pedro, a rocha, tropeça, nega e chora, 

mas do pranto nasce sua missão. 

Sobre ele, a chave se entalha agora: 

abrir o céu com suas próprias mãos.

 

11 

Eles não sabiam o peso da cruz, 

mas seguiam a estrada do Mestre fiel. 

Entre poeira e sonhos à luz, 

bebiam da fonte do eterno papel.

 

12 

O legado não é só palavra e gesto, 

mas sangue, coragem, entrega total. 

Nos 12 espelhos do Cristo manifesto, 

reluz o chamado universal.

 

Capítulo 5 – A Infância de Cristo sob a Supervisão da Pomba do Espírito Santo

 

1 

No ventre sagrado, onde a vida se encerra, 

baila a esperança, invisível e tensa. 

Maria, suave luz na Terra, 

guarda o milagre em plena crença.

 

2 

José, firme como tronco antigo, 

protege o sonho, a promessa e a dor. 

Na sombra do silêncio, o amigo, 

sustenta o amor, fiel pastor.

 

3 

A pomba desce, em asas de vento, 

traz a bênção do céu azul. 

Sussurra ao menino o seu talento, 

um espírito puro, uma luz no sul.

 

4 

No seio da casa, o tempo é ternura, 

os dias brotam como flores ao sol. 

Cada sorriso, pura escritura, 

na alma do mundo, um novo farol.

 

5 

Jesus aprende o toque da mão amiga, 

o som das vozes, o cheiro do pão. 

Entre risos e preces, a vida antiga, 

se desenha um caminho em comunhão.

 

6 

A infância é rio que corre devagar, 

escorre em mistérios, em sonhos e luz. 

Sob o olhar da pomba a pairar, 

o menino cresce e a alma seduz.

 

7 

Crescem os olhos com o brilho do céu, 

veem estrelas que falam em silêncio.

A verdade mora no azul do véu, 

nas mãos que curam com doce convívio.

 

8 

No chão de Nazaré, poeira e barro, 

sementes de vida começam a germinar. 

O coração pulsa, simples e claro, 

sinais de um mundo a se transformar.

 

9 

A pomba voa, guardiã serena, 

acompanhando passos na infância santa. 

Cada gesto, cada cena, 

é promessa viva que encanta.

 

10 

Nas noites claras, o menino sonha, 

com anjos que dançam na luz do luar. 

No silêncio, a voz que não se espelha, 

fala de amor, de fé a pulsar.

 

11 

E assim, sob a proteção do alto, 

cresce o Cristo, menino e homem em flor. 

Na infância o segredo, o salto, 

de um destino escrito em eterno amor.

 

12 

A pomba em silêncio, guardiã do mistério, 

vela o caminho que se abrirá. 

No coração do menino, o império, 

da vida, da luz que sempre brilhará.

 

 

Capítulo 6 – Milagres

 

1 

Surge a luz onde antes era sombra, 

um toque leve que muda o ar. 

Milagre é a voz que o silêncio assombra, 

o impossível que começa a cantar.

 

2 

Nas mãos do Filho, o verbo se faz, 

água se transforma em vinho a jorrar. 

Cada gesto revela a paz, 

o céu que desce para nos abraçar.

 

3 

Nos olhos de quem clama por cura, 

acende-se a chama da esperança viva. 

O impossível vira uma ternura, 

o céu na terra, a vida altiva.

 

4 

O cego vê o brilho das estrelas, 

o mudo canta a canção do amor. 

Nos passos leves, promessas belas, 

no toque santo, o calor do Senhor.

 

5  

Milagres são cores na tela do tempo, 

pinceladas divinas de luz e cor. 

São sussurros do mais profundo templo, 

o eterno abraçando a dor.

 

6 

Ele anda sobre águas turbulentas, 

serena a fúria do mar e do vento. 

Cada ato um convite a crenças, 

a fé que se ergue no momento.

 

7 

O paralítico, ao chão, renasce, 

em cada músculo, a vida volta a pulsar. 

Milagre que a dor desfaça, 

e o corpo cansado possa dançar.

 

8 

No sopro do Filho, o morto revive, 

entre lágrimas e suspiros, um renascer.

 

O mistério da vida revive, 

mostrando que a morte não tem poder.

 

9 

São rios de luz que inundam o mundo, 

ondas que quebram o medo e o mal. 

Milagres, sinais de um amor profundo, 

que vence a noite e traz o final.

 

10 

Nasce a esperança em cada gesto,  

um bálsamo doce para a alma aflita. 

O milagre, um caminho honesto, 

para a vida que nunca se limita.

 

11 

Cristo, o eterno artesão do milagre, 

molda o impossível com mãos divinas. 

Cada cura, um sagrado estandarte, 

na guerra invisível das nossas ruínas.

 

12 

E assim, em cada sopro, a certeza, 

que o amor é o maior milagre a brotar. 

No coração da infância, a beleza, 

de um mundo novo a despertar.

 

Capítulo 7 – Santa Ceia

 

1 

No silêncio da noite, a mesa se forma,  

luz tênue, sussurros de um destino. 

O pão e o vinho, promessa que transforma, 

o amor em gesto divino.

 

2 

Doze sentam-se em volta do sacrário, 

olhares que buscam o mistério profundo. 

Cada um carrega um fardo, um diário, 

naquele instante que para o mundo.

 

3 

O pão partido, corpo que se doa, 

a partilha que une o céu e a terra. 

No vinho, o sangue que não ressoa, 

mas corre forte, forte e encerra.

 

4 

Palavras que quebram o silêncio denso, 

“Fazei isto em memória de mim”. 

Um convite ao amor imenso, 

um pacto eterno, sem fim.

 

5 

No olhar do Mestre, a chama brilha, 

entre traição e amor em contradição. 

O coração da ceia palpita, vigília, 

ante o peso da missão.

 

6 

No cálice erguido, o futuro se mostra, 

a redenção em um gole sagrado. 

Na simplicidade da festa que se aposta, 

o mistério do verbo amado.

 

7 

A mesa é altar, é reino, é encontro, 

onde o humano e o divino se abraçam. 

No toque do pão, o mundo é pronto, 

a vida e a morte se entrelaçam.

 

8 

Ali estão os rostos, os medos, as dores, 

os sonhos que ainda vão florescer. 

Em cada gesto, a esperança e os amores,

a coragem de renascer.

 

9 

A ceia é mar, vasto e profundo, 

onde navegamos em águas sagradas. 

Cada pedaço é um novo mundo, 

cada brinde, vidas entrelaçadas.

 

10 

Jesus, o Mestre, ora e perdoa, 

na mesa que é a porta da salvação. 

É o início da estrada que ecoa, 

na alma, a libertação.

 

11 

Entre a partilha e o silêncio, 

nasce a fé que jamais se cala. 

A Santa Ceia, eterno vínculo, 

que acende a chama que não se apaga.

 

12 

E assim, em cada celebração, 

reflitamos o amor que não finda. 

Na Santa Ceia, a redenção, 

da vida humana, a mais linda.

 

Capítulo 8 – Agonia no Horto das Oliveiras

 

1 

No silêncio das oliveiras, a noite se derrama, 

sombra espessa que envolve a alma em pranto. 

O vento sussurra segredos na cama 

de folhas, onde se aninha o manto.

 

2 

Jesus, só, na vastidão do jardim, 

a dor pressente, o peso do que há de vir. 

O suor se mistura ao destino, enfim, 

na luta entre o querer e o fugir.

 

3 

No peito, o calvário invisível, 

a tormenta do medo e da entrega. 

Um mar revolto, conflito inevitável, 

onde a esperança se apega.

 

4 

“Pai, afasta de mim este cálice,” 

a voz que treme na madrugada fria. 

Mas o amor, força e obstáculo, 

impõe-se em sua poesia.

 

5 

No olhar, o céu aberto e o abismo, 

o mistério da dor que cura e que salva. 

O homem e o divino, dualismo, 

naquele instante que tudo malva.

 

6 

As estrelas parecem chorar, 

testemunhas silenciosas da luta imensa. 

Cada suspiro é um ato de amar, 

cada gota de suor, sentença.

 

7 

Os apóstolos dormem, fracos, distantes, 

e o Mestre carrega seu fardo sozinho. 

A vigília das almas constantes, 

na noite que é céu e caminho.

 

8 

A agonia é fogo que queima por dentro, 

mas também luz que clareia o ser.

É o preço do amor e do advento, 

é o poder de renascer.

 

9 

No silêncio que grita, na calma tensa, 

o instante sagrado do supremo sacrifício. 

A vontade divina, imensa, 

que transforma dor em ofício.

 

10 

Cada folha no chão, cada ramo, 

guarda segredos do que está por vir. 

No jardim, o Deus humano, o plano, 

prepara-se para partir.

 

11 

No Horto, a alma se desnuda e se revela, 

a coragem se faz em lágrimas e fé. 

É o antes do silêncio que cancela, 

o medo que vence o que é.

 

12 

E assim, na noite que envolve e acolhe, 

Jesus ensina a força da entrega. 

Na agonia, o amor não se escolhe, 

mas se vive e se entrega.

 

Capítulo 9 – Prisão de Jesus

 

1 

Na sombra densa da noite que engole, 

os passos ecoam, frios, decididos. 

O jardim se fecha, o silêncio se rola, 

e o destino se faz em sentidos.

 

2 

Traído pelo beijo que não é de afeto, 

a face do amigo, máscara de engano. 

No rosto do Mestre, o céu desfeito, 

e a humanidade no desengano.

 

3 

Soldados cercam o Filho da Luz, 

correntes invisíveis de medo e poder. 

O povo em silêncio, a justiça reluz, 

na escuridão do amanhecer.

 

4 

O toque frio que prende as mãos, 

o fim de uma era que se anuncia. 

O homem que acendeu multidões, 

agora preso na noite fria.

 

5 

As vozes sussurram, acusações veladas, 

o falso testemunho, a trama armada. 

No rosto de Jesus, paz e calma, 

na prisão da carne, a força da alma.

 

6 

A multidão se agita, a tensão cresce, 

o Salvador caminha para o inevitável. 

Nas sombras do medo, a esperança tece, 

o fio sutil do inescrutável.

 

7 

O silêncio pesa mais que as correntes, 

o olhar que não se curva, firme e altivo. 

No cárcere da dor, gestos pacientes, 

o homem e o divino em passo vivo.

 

8 

A prisão não cala o verbo sagrado, 

nem apaga o brilho da verdade pura. 

Mesmo preso, o amor é legado,

 

a chama que a noite não censura.

 

9 

Na escuridão, a luz interior, 

resiste, brilha, transcende a cela. 

O preso é rei, em seu fervor, 

a alma indomável, a centelha.

 

10 

Os muros cerram, a liberdade foge, 

mas o espírito voa em vasto céu. 

Na prisão, a alma não se dobra, não foge, 

é o sagrado em seu anel.

 

11 

A traição marca o passo final, 

o homem preso, o Deus sofrente. 

Na prisão, o caminho celestial, 

a esperança presente.

 

12 

E assim, no cárcere que prende o corpo, 

o espírito livre ensina a renascer. 

Na prisão, o amor é o porto, 

onde a vida insiste em florescer.

 

Capítulo 10 – Flagelação e Coroação de Espinhos

 

1 

No pátio sombrio da dor anunciada, 

o corpo se entrega à brutalidade, 

mãos que ferem, mas a alma sagrada 

resiste em silenciosa verdade.

 

2 

O aço que corta a pele do Filho, 

o sangue que brota em rios de redenção, 

cada golpe, um verso no grande estilo 

do sacrifício e da compaixão.

 

3 

A cruz ainda distante no horizonte, 

mas o sofrimento já se faz canção, 

o corpo marcado em linhas de fonte, 

pintando na carne a salvação.

 

4 

Espinhos que ferem a coroa cruel, 

príncipe coroado na dor e no desprezo. 

A coroa que corta, a cruz que é papel 

da história escrita em profundo recomeço.

 

5 

A multidão se diverte na humilhação, 

mas não vê a luz que insiste em brilhar. 

No escárnio, a maior revolução, 

o amor que ninguém pode calar.

 

6 

O sangue que mancha o solo da ignomínia, 

regando a terra de um novo alvorecer, 

o homem que suporta a sina e a anarquia, 

ensinando o que é viver.

 

7 

Cada golpe é um grito do silêncio, 

cada ferida, um verso no livro do céu. 

No corpo castigado, o amor intenso, 

desafiando o tempo e o véu.

 

8 

A coroa de espinhos, a verdade oculta,

 

o rei despojado da glória humana. 

Na humilhação, a força que exulta, 

a esperança soberana.

 

9 

O corpo trêmulo, mas o espírito firme, 

na tormenta que o mundo não compreende. 

A dor que ensina a alma a não ceder, 

o caminho que não se rende.

 

10 

No cenário cruel da injustiça fria, 

Jesus se ergue em poder imortal, 

mostrando à dor sua ousadia, 

a luz contra o vendaval.

 

11 

Flagelo e coroa: dualidade sagrada, 

coroando o homem, ferindo o Deus. 

Na cruz, a história será marcada, 

na dor, o amor que rompeu os véus.

 

12 

E assim, marcado, coronado e flagelado, 

o Filho do Homem caminha em glória. 

Um poema eterno, dor e legado, 

a mais bela e triste história.

 

Capítulo 11 – Subida ao Calvário

 

1 

No despertar pesado, o passo é lento, 

o madeiro pesa como o mundo inteiro, 

nas costas trôpegas, o tormento, 

mas no olhar, um fogo verdadeiro.

 

2 

A multidão é um mar de sombras e gritos, 

o caminho estreito se curva em dor, 

cada passo é mil cortes infinitos, 

cada suspiro um verso de amor.

 

3 

Calvário, monte que ergue a esperança, 

a cruz se projeta contra o céu, 

é o fim e o começo da dança, 

da redenção no fardo cruel.

 

4 

O suor mistura-se ao sangue quente, 

o corpo cansado clama por paz, 

mas a missão é sempre presente, 

seguir até o final, até que a vida se faz.

 

5 

No olhar do homem, um brilho profundo, 

uma luz que rompe a escuridão, 

carregando sobre si todo o mundo, 

a dor, a vida, a salvação.

 

6 

O peso da cruz não é só de madeira, 

é o fardo do pecado e da dor, 

é a entrega sincera, verdadeira, 

o caminho do amor e do perdão.

 

7 

Pés sangrando sobre pedras cortantes, 

o suor desliza no rosto sofrido, 

mas o coração permanece gigante, 

num silêncio profundo e resolvido.

 

8 

Ao redor, rostos se misturam em pranto, 

mulheres choram, o céu parece cair, 

o peso da humanidade é tanto, 

que a Terra parece se partir.

 

9

 

Mas o Homem que sobe não está só, 

a fé o guia como chama acesa, 

e mesmo quando o corpo clama por dó, 

a alma dança sua fortaleza.

 

10 

Cada passo é um verso da epopeia, 

cada gota, uma oração que ecoa, 

no silêncio do mundo, a centelha, 

do amor que nunca se destroça.

 

11 

No horizonte, o Calvário se revela, 

como palco do mais divino sacrifício, 

onde o Homem e Deus se entrelaça, 

na agonia que é puro artifício.

 

12 

Assim ele sobe, lento e decidido, 

o caminho de dor que nos liberta, 

o maior ato de amor já vivido, 

na cruz, a vida desperta.

 

Capítulo 12 – Crucificação

 

1 

Na sombra da cruz, o céu se escurece, 

um silêncio denso, pesado, profundo, 

o tempo parece que se desvanece, 

e o homem se funde com o mundo.

 

2 

Preparam a cruz, o madeiro sagrado, 

erguido entre o céu e a dor da terra, 

lugar de dor e amor entrelaçado, 

onde a vida e a morte se encerra.

 

3 

Os pregos, como estrelas cruéis, 

penetram a carne que ama e perdoa, 

um silêncio que ecoa pelos papéis 

da história humana, a maior loa.

 

4 

Cada punhalada é um grito de luz, 

que atravessa as trevas do passado, 

um sinal de amor que nos conduz, 

para um futuro renovado.

 

5 

O corpo pendurado, entre céu e chão, 

testemunha de uma entrega infinita, 

na cruz se escreve a redenção, 

na carne aberta, a vida bendita.

 

6 

Ao redor, sombras se curvam e choram, 

olhos que veem o incompreensível, 

corações que em silêncio imploram, 

por um amor tão sensível.

 

7 

A coroa de espinhos, dor em coroa, 

que não fere só a pele, mas a alma, 

um reinado que a morte não entoa, 

mas sim a paz que acalma.

 

8 

"Pai, perdoa-os", a voz que ressoa, 

um sopro de vida em meio ao tormento,

palavras que o tempo não destoa, 

um eterno mandamento.

 

9 

No fim do caminho, a respiração, 

uma entrega completa e serena, 

o amor se faz força, se faz perdão, 

e rompe toda a condena.

 

10 

O véu do templo rasga-se ao meio, 

um portal aberto à nova aliança, 

a morte é ponte, o céu o passeio, 

a vida em nova esperança.

 

11 

Assim termina o ato supremo, 

do amor que não conhece fim, 

na cruz, o homem e Deus, um só em tempo, 

um eterno jardim.

 

12 

E no silêncio após a tempestade, 

uma luz suave anuncia o dia, 

ressurge a vida, a nova verdade, 

o triunfo da alma e da poesia.