domingo, 12 de outubro de 2008

Drummondandrade

Quando a noite de sábado sai
E o clarão da lua faz um convite à vida
Bebo toda a sorte de ser filho da madrugada
Vago na linha de frente de toda hiperatividade
Com toda a afrodisíaca sapiência do som de um verso
Faço com os trilhos do destino a poesia que é a lida
E a loucura que é o riso

Mais puto que um carioca
E obstinado feito um paulista
E não menos bicho doido que o nordestino
Um rebelde das causas impossíveis
Num mundo de todas as possibilidades aos atrevidos
Aos descolados publicamente libertados
Bardos ébrios elétricos de paixão
Mineiro sisudo da civilização modernista do Brasil

Poeta vacilante desconectado das academias repressoras
Eu o ser do ego sem nenhuma centralidade
A última gota num segundo de suspiro
O grito final
A velocidade e a força da música
Eu irmão de Eneida a orelhuda mais absoluta do trópico
Eu filho do carnaval de rua
Sujeito de beber em beco
O anti-Heidegger
Por sertão pra vida!