domingo, 12 de outubro de 2008

Para Carlos Drumond

Quando a noite de sábado sai

E o clarão da lua faz um convite à vida

Bebo toda a sorte de ser filho da madrugada

Vago na linha de frente de toda hiperatividade

Com toda a afrodisíaca sapiência do som de um verso

Faço com os trilhos do destino a poesia que é a lida

E a loucura que é o riso

 

Mais puto que um carioca

E obstinado feito um paulista

E não menos bicho doido que o nordestino

Um rebelde das causas impossíveis

Num mundo de todas as possibilidades aos atrevidos

Aos descolados publicamente libertados

Bardos ébrios elétricos de paixão

Mineiro sisudo da civilização modernista do Brasil

 

Poeta vacilante desconectado das academias repressoras

Eu o ser do ego sem nenhuma centralidade

A última gota num segundo de suspiro

O grito final

A velocidade e a força da música

Eu irmão de Eneida a orelhuda mais absoluta do trópico

Eu filho do carnaval de rua

Sujeito de beber em beco

O anti-Heidegger

Por sertão pra vida!