terça-feira, 7 de outubro de 2008

À Vida

A anatomia e o verde dos meus versos
Nutrem o vazio da saudade que guardo

Tudo cabe dentro de uma caixinha
Junto às curtas lembranças na velocidade da lida
De um sementeiro de trinta janeiros
Regando a loucura nos canteiros da vida

À vida a luz da poesia
Verso do tempo canto de sangue correndo

À vida meus amigos vermelhos
Gente sisuda honesta e revolucionária

À vida Nação Zumbi
Meu velho Chico batuque de cordel encantado

À vida Charles Darwin
Coração de Chagas navegador bandeirante das Américas

À vida Saint-Hilaire
Tropeiro querido verdadeiro homem do seu tempo

À vida Silva Mello
Pai da medicina descolonizada a serviço do bicho homem

À vida o Naturalismo
O combustível estável da desenvoltura humana

À vida a energia elétrica
Que pôs fim à cascata da assombração

À vida Santos Dumont
Pássaro desafiador dos ventos

À vida Castro Alves
Tribuno da esperança poetateu

À vida o Paraíso
Que é a matéria metafórica das palavras

À vida a liberdade
A única e verdadeira razão da existência.