terça-feira, 30 de setembro de 2025

ODE À VIDA QUE ARDE

Adeus, vida que me prende e eleva —  

sou chama que dança em meio à tempestade.  

Nas veias levo o sangue dos meus amores, dos meus filhos,  

constelações vivas que sacodem meu peito em noites de silêncio.


Amo-te nas serras serpenteantes, nas matas silentes,  

em cada chalé rústico erguido com mãos nuas e alma inteira.  

No eco dos violões, no compasso das canções,  

sou verbo solto na brisa das janelas abertas.


Nas estradas de chão, meu espírito se liberta:  

poeira sobe, horizonte se expande,  

e o mundo inteiro cabe num instante de vento.  

O álcool — breve elixir — queima, mas também consola,  

lembrando que viver é dissolver-se e renascer.


A política pulsa em minhas veias:  

não como ambição, mas como chama de justiça.  

Sonho cidades inteligentes, humanas, verdes.  

Filosofia me ergue com perguntas.  

Geografia me ancora com mapas da alma.


Mas dentro de mim há um abismo que sussurra,  

uma dor sem nome, um cansaço antigo.  

Ainda assim, grito: *adeus, vida!*  

Não como fuga, mas como reverência.  

Pois até na dor há beleza,  

e é no ato de encarar a sombra

Que nascem as manhãs mais verdadeiras!